quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Só eu sei o quanto dói aqui dentro.

E é uma dor sem motivo, tão falsa e irresponsável quanto um macaco que não sente segurança em estar uma ilha e precisa atravessar um oceano a nado, sendo que ele não sabe nadar, mas quer chegar ao outro lado para se sentir em terra firme.
Macaco burro, você vai morrer no percurso!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011




:)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



Segundo o Priberam


mentira
(origem controversa)
s. f. 1. Ato de mentir. 2. Engano propositado. = FALSIDADE 3. História falsa. = PATRANHA, PETA, TANGA 4. Aquilo que engana ou ilude. = FANTASIA, ILUSÃO

mentir   v. intr. 1. Dizer o que não é verdade. 2. Dizer o que não se pensa. 3. Enganar. 4. [Figurado]  Falhar, malograr-se. 5. Faltar. 6. Não cumprir o prometido ou o que era de esperar.

Então, me diga: tem algo mais sujo e cruel do que uma mentira?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ar: that's what you get when you let your heart win.
ele: o que? um CD?
ar: tem prova maior?
ele: (risos)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"Esse negocio de dormir no ônibus não está me agradando. Sempre que acordo, ou já perdi a parada ou estou bem nela. Agradável seria se fosse cheirando o seu pescoço, ou dormindo sobre um travesseiro postado sobre suas pernas, enquanto suas mãos suaves deslizam por entre os meus cabelos rebeldes, e eu me sentindo maravilhosamente bem e confortado... "

Leu o bilhete com os posteriores dizeres, e depois saiu cantarolando e distribuindo flores pelo caminho, como se o mundo fosse um lugar bom e doce.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pessoas são farsas que andam.
A diferença é que umas são copias de outras.
E as outras... ah, as outras não são tão falsas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

IS THERE ANYBODY OUT THERE?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Musicas para ouvir e chorar #1

wait.


they don't love you like i love you.



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Ele fala "aqui está frio e escuro" e a única coisa que me vem ao pensamento é acalentar e dizer "agora eu estou aqui, vai ficar tudo bem, tchu-tchu-tchu..."

Teleporte, você está liberado para existir em todas noites frias.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Eu demoro a acertar. Geralmente recebo algumas várias pancadas para conseguir aprender.
Mas quando eu acerto, é só sorrisos e felicidade.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

I need you like a baby when i hold you.
(Like a druggy)
(Like i told you)

Yayo, yeah you

terça-feira, 1 de novembro de 2011




Querido Novembro,
Seja gentil e limpe toda a sujeira que o seu amigo Outubro trouxe quando se tornou uma visita indesejada,
pulando nos meus sofás sem tirar os sapatos e indo no meu banheiro sem dar a descarga.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

POR FAVOR, 
s  e     s  o  r  r  i  r, 
só   não   use   aquele
s   e   u      o   l   h   a   r.

domingo, 30 de outubro de 2011

NÃO EXISTE UM DIA QUE ESSE NOME NÃO ME VISITE.
Estava sentado, ouvindo musica e esperando o próximo trem. Aquele transitar de pessoas ao seu redor naquele ambiente dava uma nostalgia intensa, que ia do topo da cabeça até à unha estranha do dedo mindinho. Mas isso aconteceu há tantas luas atrás...
Por que Oliver ainda se sentia assim?

sábado, 29 de outubro de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Aquele momento
em que você 
finalmente percebe 
o quanto foi bom 
saltar do navio
 antes que ele começasse 
a naufragar...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Não sei escrever sobre romance, amor e essas coisas cheias de nhem-nhem-nhem. Não flui nada. Apenas o som do vazio ecoando ao longo do abismo. E enquanto você bate no meu rosto com a mão direita, seguro sua mão esquerda e imploro para que você não vá embora. 
(Me machuque, me magoe, porque eu só sei sentir assim)

domingo, 16 de outubro de 2011

VER
                      VOCÊ
CAINDO
ME
  D
  E
    RR
        U
            BA
TAMBÉM!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Hoje, sexta-feira, tenho aula no turno matutino.
Tô estudando para ser a primeira a ir te abraçar quando você chegar no aeroporto.















"You don't want to hurt me, but see how deep the bullet lies...
Unaware that I'm tearing you asunder.
There is thunder in our hearts, baby.
So much hate for the ones we love?

Tell me, we both matter, don't we?"

sábado, 1 de outubro de 2011


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Se for para sofrer, que seja direito, como manda todo o figurino.
Com um vinho amargo, um cigarro barato e acompanhado da própria solidão.

domingo, 25 de setembro de 2011

Embarquei nesse trem por impulso,
E agora não sei o meu destino.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A pessoa que escreveu isso venceu o campeonato de voltas por baixo infinitas vezes.
Você só conhece alguém depois de ver essa pessoa chorar.
Depois que toda muralha cai, e você vê aquilo que era tão forte e indestrutível com uma vulnerabilidade de amedrontar, e por conseguinte, percebe que nunca o tinha visto realmente.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

             LOVE WILL TEAR US 
(crec)A(crec)P(crec)A(crec)R(crec)T(crec).


Calafrios ouvindo essa musica, eu sinto.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Caixa da saudade cabe cada pedacinho de mim.
Cabe Colombina, cabe Pierrot e Arlequim.
SABE O QUE EU ACHO?
Não sabes nada. Nem eu sei...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Vai saber, 
se olhando bem 
no rosto do impossível, 
o véu, o vento o alvo invisível, 
se desvenda o que nos une ainda assim.

A    gente    é    feito    pra    acabar    .




Ai, Jeneci. Por que?

sábado, 17 de setembro de 2011


ar: Matemática do amor.
ed: Sabe eu sempre crio esperanças quando acabo um desses ­­filmes.
ar: É tão fofinho esse.
ed: É bom. Já pensou eu com uma guria daquela?­­ Maldilto seja aquele que acredita fielmente no amor...
- A Tristeza está morta.
Ana Raphaela









-Ana Raphaela está morta.
Tristeza

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Parabéns a você nesta data, querida
 Sinto muito estou de partida.
Me disseram que é bom mudar
 Mas eu não sei por onde começar
Por uma noite apenas serei seu, é foda!
 Guaraná é bem melhor que soda!
Não ligue pra o que vão dizer.
 O Jet Set que vá se fuder!
Nas festas da playboy não têm só mulher gostosa,
 tem champanhe também.

E o que você está fazendo em casa?
Ponha uma roupa e o pau pra fora.

Todo mundo sempre está
 Onde todo mundo vai
Todo mundo dá palpite
 Todo mundo quer convite



Bidê ou Balde - Microondas

terça-feira, 13 de setembro de 2011

               Talvez seja eu.
         Talvez seja você.
Porém, acho que estamos                                                      demais para ficar em uma garrafa
                                                       d - i - s - p - e - r - s - o - s

Vejam só, se não é o caracol, todo gaudério indo se esconder em sua concha.

Eu acho que no fundo, todo esse escudo é para que eu não fuja e me perca. Em você.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Se eu soubesse antes, o que sei agora,

Erraria tudo exatamente igual.

(iria embora antes do final)
You should be in my life.
E quando você perceber
Que deixou muita coisa passar,
E que não sabe o que fazer,
Como irá lidar?



Oh gosh. How i have to do it?

sábado, 10 de setembro de 2011


I know, I know.

um lado emocional feito de bomba relógio

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

N O SS A S      D I G I T AI S
N ÃO       S E       A P A G AM
      D A S       V I D AS      Q UE      
T O C A M O S

terça-feira, 6 de setembro de 2011






I'm not sure what this could mean,
I don't think you're what you seem.
I do admit to myself,
That if I hurt someone else,
Then I'll never see just what we're meant to be...








A palavra da vez é: fingimento
Não é que eu finja que não me importo.
Eu não me importo, mesmo.

sábado, 3 de setembro de 2011

UMA VERDADE: Eu sou muito fingida
Foda-se. É uma questão de auto-defesa.

Mas, hoje em dia, quem não é?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sobre uma despedida ao último voo.



"Não sei o que seria de Vossa Senhoria caso este servo tão cansado apenas ficasse saturado de toda a atmosfera clínica deste romance psicológico. Entenda que nos tempos de hoje, provindo da geração da sétima lei, não há nada que realmente me prenda a esta condição de serventia, pois eu, ser por demais estudado, fino e dotado de talentos únicos, características que Vossa Senhoria, por ofício do destino poderia ter (mas não tem), estou sentindo que toda a minha graça e potencial estão sendo desperdiçados.
O mundo diz que quer me ver, e quem sou eu para negar um pedido ao mundo? Aqui, neste lugar que tu me designastes, estou camuflado, escondido e trancado por dois cadeados, já que brilho demais. É como colocar uma borboleta laranja em um pote na estante do seu quarto. Acredite, não é bom voar tanto e não mudar o limite de voo. E por tal situação, somada ao seu descuido rotineiro de deixar a tampa do pote aberta, que eu após muito refletir se deveria ou não aproveitar tal oportunidade para voar além dos limites que me foram designados por você, decidi o que fazer.
Pensei demais e fritei meu cérebro de borboleta, porque apesar de todas as correntes e todas as faltas de consideração para com a minha existência, houveram momentos bons. Muito bons, ótimos, terríveis. Então voltei ao ponto de partida.
Sei que jamais riria da tua cara pelo descuido de me perder. “Eu tinha ido embora desde o primeiro dia”. E talvez seja essa a verdade. Espero que você ache outros que gostem da rotina, pois eu estou me mudando, saindo daqui. Adeus, bye bye, saionara,  revoir. Obrigada, mas sinto em dizer que não dá mais p'ra mim.
E quanto tu olhares pela janela e me ver voando pelos campos, não sinta ódio, algum tipo de sentimento de vingança, raiva, ciúmes da luz e das flores. Pense que eu já bati asas no seu quarto e que valeu a pena o vento que eu movimentei com esse batido de asas."

Texto de Monike Lima 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Aceite a dor,
abrace-a,
descarte-a.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

RUBY, RUBY, RUBY, RUBY!
Do you, do you, do you, do you?
Know what you're doing (doing) to me?

(Could it be, could it be... 
That you're joking with me, and you don't really see you and me)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

 que seja doce
          que seja doce
                   que seja doce
                            que seja doce
                                      que seja doce
                                               que seja doce
                                                        que seja doce


Repito sete vezes para dar sorte

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mania escrota de ler uma frase, e em seguida, sentir o chão desaparecendo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

You can always go - downtown
Sorria para mim

E eu fico tranquila

quarta-feira, 17 de agosto de 2011


domingo, 14 de agosto de 2011

HOJE É DIA DOS PAIS


E tudo o que eu queria era dar um abraço no meu.
Um abraço que suprisse toda falta que ele faz aos meus dias.

sábado, 13 de agosto de 2011

meu único compromisso é comigo mesma.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011






You can leave me

On the corner



Where you found me

I'm not for sale anymore
Aquele momento em que seu mundo está passando por um terremoto tridimensional, e ninguém percebe.
Todos te contam seus problemas, o que é legal, porque mostra que muita gente confia em você. Embora você não confie em muitas pessoas.
Isso não te dói? Não te machuca saber que quando você estiver no fundo do poço, não vai ter ninguém, nem uma Samara Morgan para abraçar?

Apenas culpa de suas escolhas, porque você quer ser assim.


"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

terça-feira, 9 de agosto de 2011

nunca
mais
vamos
nos
separar
"Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver"

Alberto Caeiro

sábado, 6 de agosto de 2011

UMA COISA QUE EU ODEIO MAIS DO QUE GENTE QUE MENTE PRA MIM
É gente que não sabe mentir.

Eu já sou uma pessoa muito complicada de se conviver, e ainda fazem o favor de saírem mentindo pra mim...
Certeza que estão pedindo "me enforca, me eletrocuta, coloca veneno na minha bebida"

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ML: Sabe qual é a maior verdade já dita?
AR:  Não faço a mínima ideia...
ML: "Eu te amo, mas eu não gosto de você o tempo todo"
AR: Essa frase fala só "tudo". Só.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Saia daqui, dor de cabeça.
Tô cansada de te expulsar, e em seguida, sentir voltando pra mim de mansinho.

Desculpe, pois tenho uma dor no peito para me preocupar, e sentir você é um disparate.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

and you kept us awake with wolves teeth, sharing different heart beats in one night.

domingo, 31 de julho de 2011



Não existe um temporal que não deixe marcas. 
Nenhum.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

SABE O QUE FALTA?

Falta alguém para cantar essa musica:


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sonhei que te mostrava as minhas cicatrizes.
Foi algo como revelar a minha alma despida e sussurar ao pé do ouvido "vem, participa do meu ser".

terça-feira, 26 de julho de 2011

"olha sempre de perto

e anda sempre por perto



nesta vida nada tens como certo"
Vai, gotinha,
Se esparrama todinha.

Vai, gotinha,
O vidro te espera.

Choque-se.

Torna-te cachoeira,
Afoga as formiguinhas.
vestido vermelho.






sandália de tiras.
O MEU PARTIDO É DO CORAÇÃO PARTIDO!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Como tá a vida?
(tá toda errada)
E por que tu não vais atrás de consertar?
(procrastinação não deixa)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

(Passarim quis pousar, não deu, voou)

"E o mato que é bom, o fogo queimou
Cadê o fogo? A água apagou
E cadê a água? O boi bebeu
Cadê o amor? O gato comeu

E a cinza se espalhou
E a chuva carregou

Cadê meu amor que o vento levou?"

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Contra a apatia

Rebuscando: é assim que tudo acontece.

Você vai procurando outras cores, outros sabores, e a atmosfera inteira se modifica.

Até porque, a rotina não permite falhas. É um departamento muito rígido, muito voraz. Muito escuro... A cadeia das horas é segura, pois só é preciso seguir as instruções (se você faz tudo como está na lista, não há necessidade de preocupar-se com eventuais empecilhos e surpresas).

Mas agora eu pergunto: Qual o sentido? Todo dia a mesma monotonia monocromática monoteísta monogâmica, sem novos horizontes e só a acomodação diária naquele sofá velho e desconfortável...

Acostumei com isso.”
Para mim, você tem é medo de viver, meu caro inimigo. Você precisa ficar bêbado e ir trepar. Teu mal é ser um morto-vivo empurrando a vida (ou o que tiver sobrado) com a barriga, e ser conformado com todas as desgraças que aparecem na caixa do correio.

Vá voar, encontre um cavalo negro alado e dê esse torrão de açúcar. Cavalos adoram açúcar, sabia? Ainda mais os alados. Toma esse também, mas esse é para ti, besta.

Sai dessa caverna escura que é a tua casa. Vá respirar.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"Eu sei que era ele. Eu nunca amarei outra pessoa tanto assim.
Posso lidar com isso. Sei que é comum encontrar sua alma gêmea mais tarde, na vida. Para mim, foi péssimo, aconteceu agora, nos meus 25 anos. Não tem a ver com sexo. Não me importo com sexo. Isso não é o principal. O importante é, acordar com alguém, dormir de conchinha... Isso é o que importa, dormir de conchinha. Sabendo que, se surgir uma pessoa ruim, existe alguém ali.
Isso é uma metáfora. Os vilões nunca aparecem. Você acorda com o vento... com aquele que te ama respirando sobre seu ombro... É isso... a conchinha..."

terça-feira, 14 de junho de 2011

É só mais um dia dos muitos que eu quero cantar felicidade para você

"Creio que as relações humanas são fonte de significado e de 'verdade' em nossas vidas. A 'verdade' é algo pessoal e ao mesmo tempo universal, e nunca existe isolada das pessoas em si. Os sentimentos e as relações humanas são mais importantes do os direitos."

Um teste de personalidade qualquer.

segunda-feira, 13 de junho de 2011



"Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer."

Fernando Pessoa

sábado, 11 de junho de 2011

UMA DICA VALIOSA:
Não atenda ligações depois da meia noite.

É só gente querendo torrar a paciência alheia.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Por que me olhas se tu vais fechar os olhos?
Por que vens em minha direção e vais embora quando estendo a mão?
Por que foges?
Meu afago não é o suficiente para você? Escolha outro dono, Sr. Gato. Cansei de te dividir com a vizinhança e sentir o ronronar entre minhas pernas apenas quando te dá vontade. Toma esse novelo de lã para brincar enquanto eu pego suas coisas e jogo tudo na rua.
Pode deixar que também vou vedar a sua abertura na porta.
Rua!

-

Porque comigo é assim: ou fode ou sai de cima.

terça-feira, 31 de maio de 2011

this time, baby, i'll be bulletproof

domingo, 29 de maio de 2011

Destinada a tudo que se foi

Oi. Tudo bem? Faz tanto tempo que eu não te escrevo, que tinha até esquecido a sensação: o coração acelerado, as vias respiratórias retraindo-se, muita hesitação e angustia. Mas não vá pensar que isso é ruim, pois significa que alguma coisa me liga a você. Tão preso a esse engodo que quando sonho contigo, acordo e fico pensando, como é que tu fostes parar lá? Até porque, nem lembro mais quantos dias (com horas, minutos e segundos) que te vi pela ultima vez. Oh, isso deve ser ruim. Foi só uma história de adolescentes que achavam o que esperar do futuro. Só que o passado quis jogar, e nosso time perdeu. Agora, sou só um velho que vive em um mundo de ficção e letras, e perdeu a corda que amarrou na cintura para fazer o caminho de volta do labirinto que se enfiou. Por que eu iria voltar? O mundo lá fora não é bonito, e muito menos gentil, com pessoas aleijadas como eu. É amargo como um cigarro barato, e quando o sabor sai a boca, sai percorrendo pelo corpo, e impregnando-se em todo resto. Logo eu, que achava que amargura era coisa de gente que não sabia o que era, argh, amor. Me dá calafrios de pronunciar essa palavra. E isso tudo porque eu perdi, e sei como tudo se perdeu. Foi o nós que virou eu e tu. Separados, e longe de pertencer a eles. O que passou não volta, não adianta falar, pedir, rezar ou implorar. Mas pode ter certeza, que se isso fosse possível, eu girava a terra ao contrario, a fim de fazer o tempo voltar para aquele mês detestável, domingo, dia seis. Nadaria oceanos para encontrar uma solda que fundisse meu corpo ao seu. Amarraria meus braços em sua volta e não largava nunca mais.
Entretanto, a telha caiu e ficou toda espatifada em vários caquinhos. Não cola. Não volta. Não vale a pena, pelo motivo de que uma nova custa menos.
"Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
Mas atravessa a noite, a madrugada, o dia
Atravessou a minha vida,
Virou só sentimento."
Era uma vez uma gota perdida no céu. Ela estava sozinha e então decidiu cair em direção ao mar. Mas na verdade, ela não estava tão sozinha como pensava: ao desabar em direção ao chão, viu varias outras gotas caírem.
Não estava só.

domingo, 15 de maio de 2011

So you think, you can stone me and spit in my eye...
So you think, you can love me and leave me to die...

Oh baby - can't do this to me, baby! Just gotta get out.
JUST GOTTA GET RIGHT OUTTA HERE!

Uma carta para Oliver - Parte II

(continuando)



Rasgou o envelope, quase não prestando atenção se iria rasgar o conteúdo. estava ansioso, o coração batia tão fora de ritmo quanto o som de um pandeiro com uma gaita e três cantores desafinados. nem ele sabia como dar ordem a essa confusão. Respirou fundo, olhou superficialmente a caligrafia ali inserida e começou a ler.



"Oi Olie. Fiquei alarmada com o teor melancólico de sua ultima carta. O que tem acontecido? Está tudo nos trilhos? Por favor, assim que terminar de ler isso, me responda, pois estou angustiada.
Vi em um jornal na televisão que a sua cidade quase ficou inundada. Espero que não tenha sido com essas suas lágrimas.
Ah, estou muito bem, a propósito. Não sou mais a garota perdida no trem sempre a vagar. Finalmente encontrei a minha estação, e por lá fiquei. Estar em terra firme é algo mágico, e só quem passou tempos a andarilhar sabe. A primeira coisa que fiz, foi ir à sorveteria, ainda perto dos trens. Estava lotada, mas encontrei uma mesinha disponível. Então, estava lá, eu e meu delicioso sorvete, e um estranho apareceu pedindo para dividir a mesa. Obviamente, eu deixei, pois você mesmo me dizia que deveria ser simpática. Quando percebi, caro Oliver, eu ansiava por uma ligação daquele moço. Hoje nós estamos namorando, e isso já dura um mês.
A vida é totalmente diferente sendo vista do lado de fora do trem. As cores parecem absorver os objetos, e não o contrario. Tudo causa interesse, e quando percebo, já estou colocando uma mão cheias de dedos e analisando e tocando e... Ah, quero olhar nos seus olhos o quanto antes, tocar sua face, beijar suas bochechas...
Escreva o quanto antes para deliciar-me de tua presença.


Com amor, Michelle, a sua Garota-do-trem."

Oliver estava sufocando, e só então percebeu que estava sem respirar. Percebeu que tinha perdido a Garota-do-trem e que a culpa era de um garoto egoísta. Quis gritar, espernear, e ter Michelle ali, frente a frente, para fazê-la engolir todas letras escritas com uma caneta preta e o papel decorado com carinhas mediocremente felizes. Sentia nojo daquela ironia dos infernos."Estúpido garoto egoísta que roubou aquilo que sempre foi meu de direito", pensava. Mas, quem estava sendo egocêntrico ali? Oliver sabia a resposta, mas não queria aceitar aquilo. Desmoronava por dentro de seus olhos e desejava nunca ter nascido.
Por que? Ela era moça comum, igual a todas as outras.

(Não, ela não era.)
(Nem desejando e tapando as vistas assim seria)

Estava tudo perdido. Jogado, adentrando toda umidade do ralo.

(Oliver não iria deixar)

sábado, 14 de maio de 2011

Pode todo mundo ir se foder, que eu tô nem aí

TCHAU
QUANDO VOCÊ AMA ALGO, VOCÊ TEM QUE DEIXAR LIVRE.


SE VOLTAR, É PORQUE TE AMA, 
SE NÃO VOLTAR VOCÊ VAI ATRÁS.






Argh, estou perdendo tempo.
Mas, por que eu sempre tenho que ir buscar? POR QUE???
SABE AS PALAVRAS QUE EU TE DEDIQUEI? 

Eu não sei onde foram guardadas. Mas elas ainda existem.
ACHO MUITO MACHISMO 

Reis viúvos dos contos de fadas casando de novo enquanto não existe noticia de uma unica rainha viúva que casou de novo.

retrospectiva

ela sente a sua falta
e ficou tudo escuro e nebuloso.
e sobre estar cabisbaixa.
e descobriu o que poderia ser.
e que seja doce!
e ela fala sério...
e ela finge que não liga

mas no fundo, não passa de uma criança preocupada.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

passos corridos.
corrida lenta.
lentidão apressada.
só para fazer nada.
cansaço.
estresse.
o que eu deveria fazer,
se eu não quero fazer nada?
cansei.
um dois três, a bomba explodiu.
foi tudo pelos ares.
vácuo...
doesn't matter - um belo não importa estrangeiro. estrangeiro!
cansou.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

EU PRECISAVA POSTAR ISSO!


EU, TU, ELE

Tateio, tateias, tateia. Ou tateamos, eu e tu, enquanto ele se movimenta sem dificuldade entre as coisas? Sei pouco de ti, apenas suspeito da tua existência desde quando descobri que nem eu nem ele éramos os donos de certas palavras. Como se tivesse percebido um espaço em branco entre ele e eu e assim - por exclusão, por intuição, por invenção - te adivinhasse dono desse espaço entre a luz dele e o escuro de mim. Tateias, também? De ti, quase não sei. Mas equilibras o que entre ele e eu é pura sombra.
Estou me afastando, estou indo embora e preciso que me entendas antes que eu vá, crucificado na parte externa do vagão de um trem em alta velocidade. Tento devagar, mais claro: ele não se afasta. Dia após dia, eu noto, torna-se mais simpático, mais eficiente, mais solícito - para utilizar palavras que não sei bem o que significam, mas imagino sempre alguém sorrindo muito, fazendo reverências, curvando constantemente a cabeça, como uma gueixa. Gueixa, ele, a grande puta, com seu silêncio de passinhos miúdos e pés amarrados. Preciso tentar certa ordem no que digo, e dizer de novo, vê se me entendes: ele não se afasta, mas é dentro dele que eu me afasto. Dentro dele, eu espio o de fora de nós. E não me atrevo.
O que vejo nos outros, com seus grandes poros abertos, são caras demasiado vivas. As caras de fora se debruçam sobre ele e eu tenho medo, eu nunca poderia olhar de frente para todos aqueles olhos boiando na superfície branco-gelatinosa, raiada de veiazinhas vermelhas, e eu sinto nojo. Não dos olhos, mas do interior das caras que transparece nas veiazinhas. Também não são as bocas, mas os gosmosos vermelhuscos de dentro, quando se abrem demasiado. Os inúmeros pontinhos pretos dos narizes, às vezes subindo para a testa, entre as sobrancelhas, o interior rosado dos narizes, as goelas abertas com suas umidades móveis ao fundo, cheias de pequenos espasmos, miúdas convulsões. Quando as grandes caras vivas se debruçam, sinto que transpareço nas veiazinhas dos olhos deles, e tenho medo que apenas um piscar me lance para fora, entre as coisas pontudas. E quando ele abre sua boca movediça para escarrar palavras, gotas de saliva e mau hálito, tenho medo de ele ser essa palavra, essa gota, esse hálito. O mesmo de quando esfrega as palmas das mãos e solta no ar os feixes de energia, como se fosse uma vibração, não um ser.
Sempre posso parar, olhar além da janela. Mas do interior do trem, nunca é fixa a paisagem. Os pés de ipê coloridos misturam-se às paredes de concreto e as paredes de concreto às ruazinhas de casas desbotadas e as ruazinhas de casas desbotadas às caras das lavadeiras na beira do rio, e desta distância essas caras não são móveis nem vivas, mas sem feições, esculpidas em barro sob as trouxas brancas de roupa suja, e outra vez o roxo e o amarelo dos ipês e o marrom da terra e o bordô das buganvílias e o verde de uma farda militar atravessando os trilhos. Há um excesso de cores e de formas pelo mundo. E tudo vibra pulsátil, fremindo.
Daquela última tarde de luz, o que me ficou na memória foi o visgo frio do suor nas palmas das mãos, os inúmeros pontos luminosos vibrantes dos automóveis, minhas frontes estalando com o barulho. Os automóveis eram faíscas coloridas metálicas voando sobre o cimento. Eu apertava minha tontura com as palmas molhadas das mãos, sem saber se ia, se voltava ou permanecia parado quieto entre aqueles pontos alucinados de luz girando em volta de mim. Devo ter começado a gritar, porque ele cerrou a boca com força, não me deixando escapar por sua garganta fechada.
Mas era a ti, a ele ou a mim que o homem visitava às vezes? De quem seria a língua sem nojo que explorava o mais fundo de todos os buracos do corpo dele? Da janela eu observava as mãos abrindo apressadas o fecho das calças, os dedos hábeis afastando panos, as narinas sugando o cheiro secreto das virilhas, O grande corpo vivo e móvel do homem, atrás das grades eu queria minhas aquelas mãos que o tocavam e também meus aqueles dedos e minhas ainda aquelas narinas e aquela língua lambendo o membro rijo dele até deixá-lo empinado o suficiente para, com muito cuidado, entrar rasgando de prazer e dor. Eras tu, era eu ou era ele quem torcia lentamente o corpo até desabar de costas na cama, e contornando com as coxas abertas o tronco e a bunda do homem pudesse assim senti-lo dentro de mim, de ti ou dele, como a fêmea deve sentir seu macho, cara a cara, jamais como um homem recebe a outro homem, o rosto contra a nuca, nesse amor feito de esperma e pêlos, de suor e merda? Atrás da janela dele, eu olhava sem me permitir. Mas nosso orgasmo era o mesmo, e éramos então um só os três, cavalgados por esse homem que esgotávamos com a sede das nossas línguas. Nesses momentos, eu conhecia a tua face tão detalhadamente quanto a dele e a minha. E não me assustavam os poros demasiado abertos, nem me enojava aquele gosmoso de dentro dos buracos. Quanto a ti, já reparaste como o mundo parece feito de pontas e arestas? Já chamei tua atenção para a escassez de contornos mansos nas coisas? Tudo é duro e fere. Observo, observas como ele se move sem choques por entre os gumes. Te parece dócil, assim sinuoso, evitando toques que possam machucá-lo? Pois a mim parece falso, conheço bem suas tramas e sei de todas as vezes que concedeu para que o de fora não o ferisse. Olha, ouve e repara: essas sinuosidades são de cobra, não de ave.
Só às vezes julgo compreender. Então tenho vontade de abrir todas as janelas da casa para que o sol possa entrar. É isso que me ocorre pelas manhãs, sempre à mesma hora, depois de ouvir os ruídos que ele faz antes de sair. Fico atento à água escorrendo da torneira, ao rascar da escova contra os dentes, à água da privada levando para os esgotos os detritos recusados pelos intestinos, à água limpando os resíduos de sono no canto dos olhos, à água fria do chuveiro despertando os músculos, à água aquecida para o café, fico atento a tudo. E água, água, água e água, eu repito todas as manhãs, e mesmo que continue o dia inteiro entre lençóis, a mão inventando prazeres escondidos entre as pernas, há sempre uma parte de mim que o acompanha pelas ruas, no seu trajeto sujo entre as faíscas metálicas dos automóveis, distribuindo os primeiros sorrisos falsos do dia, e pelo dia adentro afora, cumprindo sem hesitações o seu bem traçado roteiro. Sabe tudo o que quer, ele, o grande porco. E sabe exatamente como consegui-lo. Pelo dia afora, adentro, essa parte de mim que vai com ele tenta extravasar-se pelos seus olhos, pela sua boca, para alertar as grandes caras móveis que o observam com simpatia. A cada tentativa, ele me pressente e me rechaça, ele me empurra para o fundo de si para que eu não o desmascare. E me rouba a voz, e me leva o gesto, fazendo com que me cale e me imobilize impotente entre as pontas duras das quais ele se desvia, porco bailarino capaz de todas as baixezas pelo solo principal. É sem testemunhas que eu o desmascaro todas as manhãs, enquanto escuto escorrer a água com que supõe lavar toda a sua sujeira. Mas te investigo, te busco, te suspeito cúmplice de mim, não dele, porque a tua ajuda é a única que posso esperar, então insisto sempre se me entendes, e volto a perguntar então, me entendes? assim, me entendes, tu? agora, me entendes, ou nunca?
Era agradável quando a moça vinha com suas tabelas, seus gráficos e compassos para falar do movimento dos astros sobre as nossas cabeças, sábia e distraída, desenhando pirâmides, triângulos, esferas e losangos nos papéis quadriculados. Foi numa das primeiras vezes que ele tentou afastá-la, rindo grosso, como as pessoas costumam rir dessas coisas, preferindo sempre os porcos às aves. Foste tu quem me ajudou daquela vez, a fechar violento a boca dele até seus dentes se cerrarem a ponto de quebrar? Pois não era apenas meu aquele esforço, eu soube, e essa quem sabe tenha sido a primeira vez que te descobri existindo paralelo a mim e a ele. Ou não importam cronologias, se coexistias mesmo anterior à minha consciência de ti. Quanto à
moça, continuava a vir, dizia sempre que quando a Lua transitasse por Aquário. Mas eu nunca soube de constelações: limitava-me a recebê-la, e parecia uma menina cheia de fé em tudo aquilo que suspeitava real, embora invisível.
Meus dias são sempre como uma véspera de partida. Movimento-me entre as pontas como quem sabe que daqui a pouco já não vai estar presente. As malas estão prontas, as despedidas foram feitas. Caminhando de um lado para outro na plataforma da estação, só me resta olhar as coisas lerdo e torvo, sem nenhuma emoção, nenhuma vontade de ficar. As janelas abrem para fora, os bancos parecem-se aos bancos e os vasos foram feitos para se colocar flores em seu oco. As coisas todas se parecem a si próprias. Nada modificará o estar das coisas no mundo, e a minha partida ontem, hoje ou amanhã, não mudará coisa alguma. Cada coisa se parece exatamente com cada coisa que ela é. Assim eu próprio, me parecendo a mim mesmo, de um lado para outro, entre cigarros sem sabor, jornais sangrentos e a certeza de que o único fato que poderia deter minha partida seria a tua aceitação deste convite: não queres me ajudar a matá-lo?
Houve um dia em que o homem não veio mais. E sem saber se teria sido eu, tu ou ele quem o afastara, nesse mesmo dia escrevi qualquer coisa como uma oração que me pareceu ridícula. Mas revisitando papéis antigos agora, ela pulsa como se tivesse sido apunhalada e, percebo, como se tivesse sido escrita também para ti, para ele e para mim. Assim: eu não estou esperando por esse homem que não é só esse mas todos e nenhum como uma sede do que nunca bebi sem forma de águas apenas na estreiteza do aqui agora eu espero por ele desde que nasci e desde sempre soube que na hora da minha morte misturando memórias e delírios e antevisões um pouco antes a última coisa que perguntarei seria um mas onde está mas onde esteve esse tempo todo que me lanhei sem ti e para me alegrar depois quem sabe talvez enfim desista ou sorria lindo sem dentes sorria luminoso na escuridão da minha boca sorria vasto como nunca foi possível e cuspa qualquer coisa como então você esteve sempre aí uma vida de procuras sem te achar e silêncio para então morrer de morte morrida sem volta de vida gasta marcada de muitas cicatrizes de vida retalhada por muitos cortes mas nunca mortais a ponto de impedir este ridículo até na hora de minha morte amém.
Mas esta cara de mim, recém-desperta, revigorou-se aos poucos e sem suspiros, porque não há o que lamentar, e pensa crua, a cara descarada: pois não nos separamos, os três. Quando me julgo fora, estou dentro. E quando me suponho dentro, estou fora. De ti ou dele, de mim em mim, tríplice engastado, embora pareça confuso assim formulo, e me parece quase claro enquanto ruge a cidade longe e debruço este corpo de nós sobre os sete viadutos: tríplice engastado, tríplice entranhado, tríplice enlaçado. Tríplice inseparado para sempre, a morte de um é a morte de três, não quero que me ajudes a matá-lo porque mataria a ti e também a mim. E me recomponho, e te recomponho, e recomponho a ele, que é também eu e também tu.
A moça disse que a Lua passava por Escorpião, e contou: sem dentes, rasgado, fragmentos de vômito endurecido grudados nos pêlos do peito, o homem a perseguia. Antes que a tocasse, ela encontrou o animalzinho branco, de focinho rosado, e apanhando um pedaço de pau bateu, bateu e bateu até que o bicho se tornasse um mingau de sangue e ossos partidos e pêlos raros onde boiava um par de olhos abertos que não morriam. Eu contei: pelo tronco da árvore, de um lado a outro do precipício, eu atravessava. Foi quando parei, com medo do abismo. Não voltaria, nem iria em frente. Então olhei a parede do precipício e vi os cachos verdes de uvas e meu medo começou a passar porque eu não sentiria fome nem morreria pois logo viria a vindima, o tempo maduro das uvas. Oníricos, trocávamos sonhos os dois, os três, os quatro. E a fêmea emboscada no corpo da moça chamava por mim, por ti, por ele, sem se importar que fôssemos três. De nós três, ela sabia e queria. Antes de partir, ainda escreveu no papel cheio de gráficos, olhando para nós de um em um, guarda isso: o outro também se busca cego, o outro também e sempre é três. Tempos depois - agora, para ser preciso percebo: é pelos corredores escuros do labirinto que caminhamos tateando, os três, à procura do vértice. Sei que não entendes, sei que ele também não entende. Do teu dia, quase não sei, mas sei do teu labirinto em ti, como sei do labirinto dele em mim, do meu labirinto em ti. E também não entendo.
Preciso parar. Estou cansado. Pela cabeça, essa luz que não sei se é compreensão ou loucura. É de mim, de ti ou dele que sai essa voz contando o sonho de ontem? Como se fosses tu, assim entras no teatro e te chamam dentro do sonho e te chamam para fazer o papel do sonho de alguém que não veio, e dizes que nunca viste a peça e nunca leste o texto e nada sabes de marcações intenções interiorizações e te dizem que não importa porque é só um sonho e um sonho não precisa ensaio, e já não sabes se começas a rir ou a gritar, então foges para encontrar o outro, mas o rosto da moça tem os olhos do homem e a boca da moça, os seios da moça são os seios da moça, aqueles mesmos, cujos bicos duros roçavam tua barba malfeita quando os beijavas, mas o sexo da moça é o sexo do homem, aquele mesmo que te inundava de esperma quente, e não sentes medo nem nojo, mas te afastas confuso e caminhas caminhas em busca do teatro para entrar em cena e desempenhar tão bem quanto possas o teu papel de sonho do sonho de outro, depois procuras procuras dentro do teatro, em pirâmides de estreitos corredores, e continuas procurando o palco, o vértice, a câmara real, a tua deixa, a tua marca, e antes de acordar não pensas, ou pensas, sim, eu não sei, ele não sabe, tu não sabes nem ninguém se de repente não estarás perdido nem não sabes o papel de cor, pois o palco é a procura do palco e o teu papel é não saber o papel e tudo está certo e a aparente desordem se ordena súbita e a grande ordem de todas as coisas é o caos girando desordenado assim como deve girar o caos, e assim mergulho eu e assim mergulhas tu e assim mergulha ele: a tontura de nossos seis passos equilibra-se instável e precisa sobre o fio da navalha. Mas - sei, sabes, sabemos as uvas talvez custem demais a amadurecer. E quase não temos tempo.

C.F.A.

Ah, triângulo inefável. Se ao menos tu soubesses...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ei, você! Me diga o que é mais irritante do que apatia.

Quem souber de algo pior ganha um hamburger de siri.
ar: Eu sinto isso no ar.
gu: Onde?
ar: Por aí, a navegar pela atmosfera.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Renato, se o imperfeito não participa do passado,
POR QUE DIABOS TU DEIXASTE O PERFEITO VIRAR PASSADO?
porra, legião urbana.



eu morria
tu amavas
...
eu amava
tu morrias
...
LUPO, EU COMETI UM ENGANO TERRÍVEL!

sábado, 23 de abril de 2011

SABE QUANDO TODAS AS MUSICAS LEMBRAM UMA ÚNICA PESSOA? 

Eu sei bem como é, e não me orgulho disso.
(Vou desligar esse radio e tirar os fones dos ouvidos)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

"Volte quando éramos crianças, nós sempre sabíamos quando parar. E agora todas as boas crianças estão aprontando. Ninguém ganhou ou realizou nada." 



uma musica favorita de uma banda favorita

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Era uma vez a garota que não gostava de sorrir. Ela não era necessariamente triste. Ela apenas não gostava de mostrar felicidade. Tem muita gente invejosa por aí. Ela não via com bons olhos a hipótese de ter pessoas agourando sua felicidade, e muito menos da vida que ela tinha - apesar de achar que não era digna de inveja. Um dia ela conheceu um rapaz. O rapaz tinha feito com que ela ficasse confusa sobre sorrir. Ele achava estranho ela  não deixar fluir e simplesmente mover os músculos da bochecha. Ela era reservada. Ela queria, mas depois de tanto tempo, não conseguia sorrir com facilidade ou naturalidade. E o rapaz que ficou assustado, foi deixando-a de lado. E de lado. E de lado. E longe. Um dia estavam à muitos quilômetros de distância. Entretanto, ela queria sorrir e mostrar que era capaz. E também havia aquela necessidade de sorrir para ele e deixar o rapaz feliz por tal acontecimento que ele criou. E assim tentou. E foi correndo. E correndo. E correndo por todo caminho que os separavam. Ela correu até os pés sangrarem. Não foi até cansarem, foi sangrarem, mesmo. E pior teria sido se ele tivesse a trancado em um cofre, perdido a chave e esquecido a senha. Mas ele só se afastou. E agora ela estava correndo atrás dele. Quando ela o viu de longe, apressou mais ainda as pernas. A dor não importava, não tinha o direito de atrapalhar. E lançou os braços pelo rapaz, e ele correspondeu. O abraço era quente. Pequenas gotas descambavam pelo rosto, mas ela não estava triste. Aquele abraço era o motivo de toda felicidade que poderia acontecer. E ela deu o mais sincero e puro sorriso.

terça-feira, 19 de abril de 2011



Me 
diz por 
qual caminho 
você vai passar,
pra eu desviar, eu 
quero andar sozinho.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma carta para Oliver - Parte I

Deveriam ser umas seis horas da noite. Ou da tarde. Oliver nunca teve apego a esse tipo de detalhe. Acordou assustado com o barulho da campainha. Estava assistindo televisão no sofá da sala, o que resulta por dormir e a derramar saliva entre uma almofada e outra. Passou as palmas das mãos pelo rosto tentando clarear as ideias. O que era em vão, pois a campainha insistia em berrar aquele "triiiiiiim" estridente.
- Já escutei. Já estou indo!
Abriu a porta sem perguntar para quem. Era sua irmã. Vestia um casaco amarelo com uns botões prateados, uma calça jeans e botas couro com salto fino. O casaco estava aberto, e deixava à mostra uma blusa branca com decote V. Seu cabelo artificialmente loiro dava um toque a mais a sua delicadeza, que era eventualmente acentuada por alguns acessórios. Oliver não tinha visto sua irmã durante o café da manhã, e de acordo com seu vestuário, ela não estava vindo do trabalho, ou da faculdade. Por um momento, ficou até com duvidas sobre onde a garota tinha passado a noite passada.
Ela trazia consigo uma bolsa de cor turquesa (aquela cor-que-não-se-sabe-se-é-verde-ou-azul) e uns envelopes nas mãos. Reclamou sobre a demora para abrir a porta e disse:
- Toma.
Oliver ficou confuso, e perguntou o que era.
-É uma carta endereçada a você, seu tonto. O que mais parece ser?
De fato, era um relacionamento hostil. Mas ele não dava importância a isso. Já estava acostumado.
"É verdade", pensou Oliver. "O que mais poderia haver aí? Uma bomba? Uma forca? Um punhal amaldiçoado? São só inofensivas palavras".
Foi até o seu quarto, trancou a porta, sentou na cama, e não encontrava alguma coragem para ler o que continha em suas mãos. A Garota-do-trem tinha escrito para ele - para ele! - e aquilo era surreal demais para sua linha de raciocínio.
"Vou terminar logo com essa peleja" e assim abriu a carta.


continua...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

"O bondinho era dela, pra ela passear.  As estrelas eram dela, pra iluminá-la. A pracinha era dela, pra ela caminhar. O sorriso que ela abria era a coisa mais bela... As canções eram dela, pra ela cantar. O mundo se espremia pra vê-la na janela. As minhas palavras eram dela. E ela nem viu.
E ela nem viu.
E ela nem viu.
E ela nem viu.
As minhas palavras eram dela."

domingo, 10 de abril de 2011




A história da melancolia inclui todos nós. Eu escrevo em lençóis sujos, enquanto olho para paredes azuis e nada. Eu já me acostumei tanto com a melancolia, que eu a recebo como uma velha amiga.

E agora eu terei 15 minutos de aflição pela ruiva perdida, e digo aos deuses. Eu faço isso e me sinto bastante mal, bastante triste, e então eu levanto limpo. Apesar de que nada está resolvido.


Isso é o que eu ganho por chutar a religião na bunda. Eu deveria ter chutado a ruiva na bunda. Onde o cérebro e o pão e a manteiga dela estão... Mas, eu não me sinto triste por tudo.

A ruiva perdida foi apenas outro rompimento em uma vida de perdas... Eu ouço a bateria do rádio agora e sorrio. Há alguma coisa errada comigo além da melancolia...

-- Charles Bukowski

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Das cartas de Oliver para a Garota-do-trem

Ei Garota-do-trem, por onde tens andado? E por que parou de me escrever? De tudo o que escuto, teu silencio é o que mais faz arder meus tímpanos. Sinto a falta de sua tagarelice costumeira... O que aconteceu? Se for minha culpa, faço qualquer coisa para mudar. Vou até para um pagode se assim desejares, e, tu sabes bem que esse tipo de evento não é de meu feitio. Porque quando eu quero, faço tudo para conseguir. Mas, isso é só quando eu sei que posso. Se não, eu desisto, largo e jogo em qualquer esquina que possa libertar. Entretanto, não quero desistir de ti. ARRRRRRGH! Fale-me, Garota-do-trem, qual é o teu itinerário? Qual é a linha que faz meu ponto encontrar com o teu? Qual é a rota que fará esse vácuo ir para as cucuias? Qual é o preço que tenho que pagar para dizer "aleluia" por receber uma carta sua?

terça-feira, 5 de abril de 2011

Lá vai aquela guria a não querer correr novamente. Fuja. Fuja enquanto ainda tens tempo! Vá, e não olhe para trás. Não desperdice nenhuma lágrima em que tu possas tropeçar e perder teu valioso tempo tentando reerguer-te . E, por favor, viva sua vida como se um tumor maligno estivesse a sugar teus  fluidos vitais. Você iria permitir que algo fosse usar e abusar da sua vida - aquela que tu tiveras que passar por tantos maus bocados - e ficar por isso mesmo? Eu creio que não. Agora vá.
Ah, antes que acabe por me esquecer, quando for sair, feche a porta e coloque a chave debaixo do tapete.
"somos a fachada
de uma coisa morta

e a vida como que a bater à nossa porta

quando formos velhos,
se um dia formos velhos,
quem irá querer saber quem tinha razão?

de olhos na falésia,
espera pelo vento.
ele dá-te a direção...

ninguém é quem queria ser.

eu queria ser ninguém."

segunda-feira, 4 de abril de 2011

eis aqui a melhor desculpa inventada

 I am a sleepwalker, anyway.
i'm gonna tell us a little secret: i'm gonna die



[falling deeply in love with smudge]

domingo, 3 de abril de 2011

Eu quero mais é que um meteoro caia em direção a sua testa e que você não tenha tempo para fugir.
WHAT THE HELL WERE YOU THINKING? WHERE'S YOUR FUCKING MIND? 

DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT

sábado, 2 de abril de 2011

I'D CATCH A GRENADE FOR YA. THROW MY HAND ON A BLADE FOR YA. I'D JUMP IN FRONT A TRAIN FOR YA. YOU KNOW I'D DO ANYTHING FOR YA!

I would go through all of this pain, take a bullet straight through my brain.
Yes, I would die for you, baby. But you won't do the same.

quarta-feira, 30 de março de 2011

EU SÓ PRECISO DE UM MOTIVO!

É pedir demais?? Um motivo de nada.
Uma aceleração nas batidas do coração.
Daquela ansiedade descomunal.

Cadê?

terça-feira, 29 de março de 2011

Hey, slow it down.

WHATAYA WANT FROM ME??

estava a futricar um caderno antigo

E acabei por perceber um rabisco interessante.

"O MUNDO TÁ TODO ERRADO!" Era o que estava escrito.
Fiquei a pensar o quão sábio tinha escrito essa frase e nem pudera perceber isso antes. Vai ver o meu mundo tinha que fazer um loop de quilômetros para que fosse possível perceber isso.
"Nem lembra do que passou. 
É tanta cor ao redor. 
Recordação nem ficou. 
Ser feliz ela sabe de cor."




Se for pra correr, não importa a direção: que seja segurando a minha mão.

domingo, 27 de março de 2011

NR: Já me falaram que ela gosta de mim, só que ela nunca foi capaz de me falar isso. *risos* . E se nunca falar: pena.
AR: Alguém vai acabar falando isso antes dela.
NR: Pois é, e eu não 'tô afim de continuar gostando dela em vão.
AR: Que pena que não é assim que funciona.
NR: Pior que funciona. Dou duas semanas e esqueço ela!
AR: Comigo não funciona. Eu finjo que funciona, mas eu sei que não é verdade.

hoje eu vou pro lado de lá

quarta-feira, 23 de março de 2011

eu tô ficando com aquela sensação de que eu fui a pista e você o avião





Ahh, Home. 
Let me come home,
Home is wherever I'm with you.
Ahh Home. 
Let me go ho-oh-ome.
Home is wherever I'm with you.

uma verdade indiscutivel

Não gosto de gente culta.

Para mim, quem quer ser culto acha que tem o direito obrigatório de julgar todos os outros que aparentemente são inferiores.
Vou dar uma dica: Somos iguais. Tudo que você sabe, qualquer um pode saber.
- Fora! - Ela disse.
E assim, descobriu por conta própria como uma palavra de quatro letras tem mais peso do que um discurso de horas.

terça-feira, 15 de março de 2011

It's dangerous, I'm fallin'

Life goes on. Life goes on. Life goes on.

Já repeti tanto essa frase que acabo esquecendo o que realmente significa.

Bilhetes para o Oliver, parte I

Sabe Oliver, esse trem que embarquei fugiu dos trilhos. Foi um vire-para-esquerda-direita-esquerda-esquerda-direita e fiquei perdida no meio do nada. Ah, quem dera ter um mapa por aqui... Mas, vou ficar sem fazer nada e não vou deixar que me vampirizem.

Observar é mais divertido do que permitir que me suguem e se aproveitem das (poucas) boas intenções que tenho.

domingo, 13 de março de 2011

"Ela foi sem você e não volta mais. Nem olhou pra trás. Ela achou que você não fosse capaz de viver em paz. E todo esse tempo você não tem feito nada que possa mudar. E aquele momento se perdeu no tempo. Nada de bom pra lembrar. Ela disse que você não se satisfaz. Não consegue mais. Ela pensa em você, mas não gosta mais. Não aguenta mais."

sábado, 12 de março de 2011

eu tentei falar com você

Mas todo esforço deu em nada.
Por que?

quinta-feira, 10 de março de 2011

Na hora da canção em que eles dizem "baby"

eu não soube o que dizer...

quarta-feira, 9 de março de 2011

eu assisti aquele filme e tô embarcando por impulso

Acabo de assistir um filme que falava algo sobre casais quando estavam entrando na fase de deixar de ser um casal. Isso soou confuso, mas é realmente uma historia confusa.
O homem que ama intensamente, a mulher que idealiza o príncipe encantando com um cavalo branco e alado... Quando não é um, é outro. Quando ela encontra tudo o que sonhava em uma pessoa, ele não deseja ser tal personagem. Quando ele ama, ela não quer ser amada. E assim segue infinitamente...
E sobre aquela conversinha que ouvimos desde bebês? Aquela lá, que dizia que o amor supera tudo, que enfrenta barreiras, e que nada se compara com a magnitude do verdadeiro amor...
Não quero parecer extremamente cético, mas conheço algumas pessoas e nenhuma vivenciou algo de tamanha nobreza. Então me debato contra o travesseiro e fico a pensar o que acontece com essas pessoas que se namoram, pixam muros com "Eu te amo, Victoria. Não solta a minha mão!" e outras frases demasiadamente amorosas, casam, têm lindos filhos, e por conseguinte, desejam arduamente se matar. Por que isso acontece? É só medo de ficar só? Ou esse amor seria um motivo para querer viver e depois morrer?
Infelizmente, meu travesseiro nunca me deu as respostas. Só acrescenta perguntas.

E quando a lacuna for embora, o que vai acontecer: terá vácuo, ou respostas?

Baby

did you forget to take your meds?