quarta-feira, 27 de abril de 2011

EU PRECISAVA POSTAR ISSO!


EU, TU, ELE

Tateio, tateias, tateia. Ou tateamos, eu e tu, enquanto ele se movimenta sem dificuldade entre as coisas? Sei pouco de ti, apenas suspeito da tua existência desde quando descobri que nem eu nem ele éramos os donos de certas palavras. Como se tivesse percebido um espaço em branco entre ele e eu e assim - por exclusão, por intuição, por invenção - te adivinhasse dono desse espaço entre a luz dele e o escuro de mim. Tateias, também? De ti, quase não sei. Mas equilibras o que entre ele e eu é pura sombra.
Estou me afastando, estou indo embora e preciso que me entendas antes que eu vá, crucificado na parte externa do vagão de um trem em alta velocidade. Tento devagar, mais claro: ele não se afasta. Dia após dia, eu noto, torna-se mais simpático, mais eficiente, mais solícito - para utilizar palavras que não sei bem o que significam, mas imagino sempre alguém sorrindo muito, fazendo reverências, curvando constantemente a cabeça, como uma gueixa. Gueixa, ele, a grande puta, com seu silêncio de passinhos miúdos e pés amarrados. Preciso tentar certa ordem no que digo, e dizer de novo, vê se me entendes: ele não se afasta, mas é dentro dele que eu me afasto. Dentro dele, eu espio o de fora de nós. E não me atrevo.
O que vejo nos outros, com seus grandes poros abertos, são caras demasiado vivas. As caras de fora se debruçam sobre ele e eu tenho medo, eu nunca poderia olhar de frente para todos aqueles olhos boiando na superfície branco-gelatinosa, raiada de veiazinhas vermelhas, e eu sinto nojo. Não dos olhos, mas do interior das caras que transparece nas veiazinhas. Também não são as bocas, mas os gosmosos vermelhuscos de dentro, quando se abrem demasiado. Os inúmeros pontinhos pretos dos narizes, às vezes subindo para a testa, entre as sobrancelhas, o interior rosado dos narizes, as goelas abertas com suas umidades móveis ao fundo, cheias de pequenos espasmos, miúdas convulsões. Quando as grandes caras vivas se debruçam, sinto que transpareço nas veiazinhas dos olhos deles, e tenho medo que apenas um piscar me lance para fora, entre as coisas pontudas. E quando ele abre sua boca movediça para escarrar palavras, gotas de saliva e mau hálito, tenho medo de ele ser essa palavra, essa gota, esse hálito. O mesmo de quando esfrega as palmas das mãos e solta no ar os feixes de energia, como se fosse uma vibração, não um ser.
Sempre posso parar, olhar além da janela. Mas do interior do trem, nunca é fixa a paisagem. Os pés de ipê coloridos misturam-se às paredes de concreto e as paredes de concreto às ruazinhas de casas desbotadas e as ruazinhas de casas desbotadas às caras das lavadeiras na beira do rio, e desta distância essas caras não são móveis nem vivas, mas sem feições, esculpidas em barro sob as trouxas brancas de roupa suja, e outra vez o roxo e o amarelo dos ipês e o marrom da terra e o bordô das buganvílias e o verde de uma farda militar atravessando os trilhos. Há um excesso de cores e de formas pelo mundo. E tudo vibra pulsátil, fremindo.
Daquela última tarde de luz, o que me ficou na memória foi o visgo frio do suor nas palmas das mãos, os inúmeros pontos luminosos vibrantes dos automóveis, minhas frontes estalando com o barulho. Os automóveis eram faíscas coloridas metálicas voando sobre o cimento. Eu apertava minha tontura com as palmas molhadas das mãos, sem saber se ia, se voltava ou permanecia parado quieto entre aqueles pontos alucinados de luz girando em volta de mim. Devo ter começado a gritar, porque ele cerrou a boca com força, não me deixando escapar por sua garganta fechada.
Mas era a ti, a ele ou a mim que o homem visitava às vezes? De quem seria a língua sem nojo que explorava o mais fundo de todos os buracos do corpo dele? Da janela eu observava as mãos abrindo apressadas o fecho das calças, os dedos hábeis afastando panos, as narinas sugando o cheiro secreto das virilhas, O grande corpo vivo e móvel do homem, atrás das grades eu queria minhas aquelas mãos que o tocavam e também meus aqueles dedos e minhas ainda aquelas narinas e aquela língua lambendo o membro rijo dele até deixá-lo empinado o suficiente para, com muito cuidado, entrar rasgando de prazer e dor. Eras tu, era eu ou era ele quem torcia lentamente o corpo até desabar de costas na cama, e contornando com as coxas abertas o tronco e a bunda do homem pudesse assim senti-lo dentro de mim, de ti ou dele, como a fêmea deve sentir seu macho, cara a cara, jamais como um homem recebe a outro homem, o rosto contra a nuca, nesse amor feito de esperma e pêlos, de suor e merda? Atrás da janela dele, eu olhava sem me permitir. Mas nosso orgasmo era o mesmo, e éramos então um só os três, cavalgados por esse homem que esgotávamos com a sede das nossas línguas. Nesses momentos, eu conhecia a tua face tão detalhadamente quanto a dele e a minha. E não me assustavam os poros demasiado abertos, nem me enojava aquele gosmoso de dentro dos buracos. Quanto a ti, já reparaste como o mundo parece feito de pontas e arestas? Já chamei tua atenção para a escassez de contornos mansos nas coisas? Tudo é duro e fere. Observo, observas como ele se move sem choques por entre os gumes. Te parece dócil, assim sinuoso, evitando toques que possam machucá-lo? Pois a mim parece falso, conheço bem suas tramas e sei de todas as vezes que concedeu para que o de fora não o ferisse. Olha, ouve e repara: essas sinuosidades são de cobra, não de ave.
Só às vezes julgo compreender. Então tenho vontade de abrir todas as janelas da casa para que o sol possa entrar. É isso que me ocorre pelas manhãs, sempre à mesma hora, depois de ouvir os ruídos que ele faz antes de sair. Fico atento à água escorrendo da torneira, ao rascar da escova contra os dentes, à água da privada levando para os esgotos os detritos recusados pelos intestinos, à água limpando os resíduos de sono no canto dos olhos, à água fria do chuveiro despertando os músculos, à água aquecida para o café, fico atento a tudo. E água, água, água e água, eu repito todas as manhãs, e mesmo que continue o dia inteiro entre lençóis, a mão inventando prazeres escondidos entre as pernas, há sempre uma parte de mim que o acompanha pelas ruas, no seu trajeto sujo entre as faíscas metálicas dos automóveis, distribuindo os primeiros sorrisos falsos do dia, e pelo dia adentro afora, cumprindo sem hesitações o seu bem traçado roteiro. Sabe tudo o que quer, ele, o grande porco. E sabe exatamente como consegui-lo. Pelo dia afora, adentro, essa parte de mim que vai com ele tenta extravasar-se pelos seus olhos, pela sua boca, para alertar as grandes caras móveis que o observam com simpatia. A cada tentativa, ele me pressente e me rechaça, ele me empurra para o fundo de si para que eu não o desmascare. E me rouba a voz, e me leva o gesto, fazendo com que me cale e me imobilize impotente entre as pontas duras das quais ele se desvia, porco bailarino capaz de todas as baixezas pelo solo principal. É sem testemunhas que eu o desmascaro todas as manhãs, enquanto escuto escorrer a água com que supõe lavar toda a sua sujeira. Mas te investigo, te busco, te suspeito cúmplice de mim, não dele, porque a tua ajuda é a única que posso esperar, então insisto sempre se me entendes, e volto a perguntar então, me entendes? assim, me entendes, tu? agora, me entendes, ou nunca?
Era agradável quando a moça vinha com suas tabelas, seus gráficos e compassos para falar do movimento dos astros sobre as nossas cabeças, sábia e distraída, desenhando pirâmides, triângulos, esferas e losangos nos papéis quadriculados. Foi numa das primeiras vezes que ele tentou afastá-la, rindo grosso, como as pessoas costumam rir dessas coisas, preferindo sempre os porcos às aves. Foste tu quem me ajudou daquela vez, a fechar violento a boca dele até seus dentes se cerrarem a ponto de quebrar? Pois não era apenas meu aquele esforço, eu soube, e essa quem sabe tenha sido a primeira vez que te descobri existindo paralelo a mim e a ele. Ou não importam cronologias, se coexistias mesmo anterior à minha consciência de ti. Quanto à
moça, continuava a vir, dizia sempre que quando a Lua transitasse por Aquário. Mas eu nunca soube de constelações: limitava-me a recebê-la, e parecia uma menina cheia de fé em tudo aquilo que suspeitava real, embora invisível.
Meus dias são sempre como uma véspera de partida. Movimento-me entre as pontas como quem sabe que daqui a pouco já não vai estar presente. As malas estão prontas, as despedidas foram feitas. Caminhando de um lado para outro na plataforma da estação, só me resta olhar as coisas lerdo e torvo, sem nenhuma emoção, nenhuma vontade de ficar. As janelas abrem para fora, os bancos parecem-se aos bancos e os vasos foram feitos para se colocar flores em seu oco. As coisas todas se parecem a si próprias. Nada modificará o estar das coisas no mundo, e a minha partida ontem, hoje ou amanhã, não mudará coisa alguma. Cada coisa se parece exatamente com cada coisa que ela é. Assim eu próprio, me parecendo a mim mesmo, de um lado para outro, entre cigarros sem sabor, jornais sangrentos e a certeza de que o único fato que poderia deter minha partida seria a tua aceitação deste convite: não queres me ajudar a matá-lo?
Houve um dia em que o homem não veio mais. E sem saber se teria sido eu, tu ou ele quem o afastara, nesse mesmo dia escrevi qualquer coisa como uma oração que me pareceu ridícula. Mas revisitando papéis antigos agora, ela pulsa como se tivesse sido apunhalada e, percebo, como se tivesse sido escrita também para ti, para ele e para mim. Assim: eu não estou esperando por esse homem que não é só esse mas todos e nenhum como uma sede do que nunca bebi sem forma de águas apenas na estreiteza do aqui agora eu espero por ele desde que nasci e desde sempre soube que na hora da minha morte misturando memórias e delírios e antevisões um pouco antes a última coisa que perguntarei seria um mas onde está mas onde esteve esse tempo todo que me lanhei sem ti e para me alegrar depois quem sabe talvez enfim desista ou sorria lindo sem dentes sorria luminoso na escuridão da minha boca sorria vasto como nunca foi possível e cuspa qualquer coisa como então você esteve sempre aí uma vida de procuras sem te achar e silêncio para então morrer de morte morrida sem volta de vida gasta marcada de muitas cicatrizes de vida retalhada por muitos cortes mas nunca mortais a ponto de impedir este ridículo até na hora de minha morte amém.
Mas esta cara de mim, recém-desperta, revigorou-se aos poucos e sem suspiros, porque não há o que lamentar, e pensa crua, a cara descarada: pois não nos separamos, os três. Quando me julgo fora, estou dentro. E quando me suponho dentro, estou fora. De ti ou dele, de mim em mim, tríplice engastado, embora pareça confuso assim formulo, e me parece quase claro enquanto ruge a cidade longe e debruço este corpo de nós sobre os sete viadutos: tríplice engastado, tríplice entranhado, tríplice enlaçado. Tríplice inseparado para sempre, a morte de um é a morte de três, não quero que me ajudes a matá-lo porque mataria a ti e também a mim. E me recomponho, e te recomponho, e recomponho a ele, que é também eu e também tu.
A moça disse que a Lua passava por Escorpião, e contou: sem dentes, rasgado, fragmentos de vômito endurecido grudados nos pêlos do peito, o homem a perseguia. Antes que a tocasse, ela encontrou o animalzinho branco, de focinho rosado, e apanhando um pedaço de pau bateu, bateu e bateu até que o bicho se tornasse um mingau de sangue e ossos partidos e pêlos raros onde boiava um par de olhos abertos que não morriam. Eu contei: pelo tronco da árvore, de um lado a outro do precipício, eu atravessava. Foi quando parei, com medo do abismo. Não voltaria, nem iria em frente. Então olhei a parede do precipício e vi os cachos verdes de uvas e meu medo começou a passar porque eu não sentiria fome nem morreria pois logo viria a vindima, o tempo maduro das uvas. Oníricos, trocávamos sonhos os dois, os três, os quatro. E a fêmea emboscada no corpo da moça chamava por mim, por ti, por ele, sem se importar que fôssemos três. De nós três, ela sabia e queria. Antes de partir, ainda escreveu no papel cheio de gráficos, olhando para nós de um em um, guarda isso: o outro também se busca cego, o outro também e sempre é três. Tempos depois - agora, para ser preciso percebo: é pelos corredores escuros do labirinto que caminhamos tateando, os três, à procura do vértice. Sei que não entendes, sei que ele também não entende. Do teu dia, quase não sei, mas sei do teu labirinto em ti, como sei do labirinto dele em mim, do meu labirinto em ti. E também não entendo.
Preciso parar. Estou cansado. Pela cabeça, essa luz que não sei se é compreensão ou loucura. É de mim, de ti ou dele que sai essa voz contando o sonho de ontem? Como se fosses tu, assim entras no teatro e te chamam dentro do sonho e te chamam para fazer o papel do sonho de alguém que não veio, e dizes que nunca viste a peça e nunca leste o texto e nada sabes de marcações intenções interiorizações e te dizem que não importa porque é só um sonho e um sonho não precisa ensaio, e já não sabes se começas a rir ou a gritar, então foges para encontrar o outro, mas o rosto da moça tem os olhos do homem e a boca da moça, os seios da moça são os seios da moça, aqueles mesmos, cujos bicos duros roçavam tua barba malfeita quando os beijavas, mas o sexo da moça é o sexo do homem, aquele mesmo que te inundava de esperma quente, e não sentes medo nem nojo, mas te afastas confuso e caminhas caminhas em busca do teatro para entrar em cena e desempenhar tão bem quanto possas o teu papel de sonho do sonho de outro, depois procuras procuras dentro do teatro, em pirâmides de estreitos corredores, e continuas procurando o palco, o vértice, a câmara real, a tua deixa, a tua marca, e antes de acordar não pensas, ou pensas, sim, eu não sei, ele não sabe, tu não sabes nem ninguém se de repente não estarás perdido nem não sabes o papel de cor, pois o palco é a procura do palco e o teu papel é não saber o papel e tudo está certo e a aparente desordem se ordena súbita e a grande ordem de todas as coisas é o caos girando desordenado assim como deve girar o caos, e assim mergulho eu e assim mergulhas tu e assim mergulha ele: a tontura de nossos seis passos equilibra-se instável e precisa sobre o fio da navalha. Mas - sei, sabes, sabemos as uvas talvez custem demais a amadurecer. E quase não temos tempo.

C.F.A.

Ah, triângulo inefável. Se ao menos tu soubesses...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ei, você! Me diga o que é mais irritante do que apatia.

Quem souber de algo pior ganha um hamburger de siri.
ar: Eu sinto isso no ar.
gu: Onde?
ar: Por aí, a navegar pela atmosfera.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Renato, se o imperfeito não participa do passado,
POR QUE DIABOS TU DEIXASTE O PERFEITO VIRAR PASSADO?
porra, legião urbana.



eu morria
tu amavas
...
eu amava
tu morrias
...
LUPO, EU COMETI UM ENGANO TERRÍVEL!

sábado, 23 de abril de 2011

SABE QUANDO TODAS AS MUSICAS LEMBRAM UMA ÚNICA PESSOA? 

Eu sei bem como é, e não me orgulho disso.
(Vou desligar esse radio e tirar os fones dos ouvidos)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

"Volte quando éramos crianças, nós sempre sabíamos quando parar. E agora todas as boas crianças estão aprontando. Ninguém ganhou ou realizou nada." 



uma musica favorita de uma banda favorita

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Era uma vez a garota que não gostava de sorrir. Ela não era necessariamente triste. Ela apenas não gostava de mostrar felicidade. Tem muita gente invejosa por aí. Ela não via com bons olhos a hipótese de ter pessoas agourando sua felicidade, e muito menos da vida que ela tinha - apesar de achar que não era digna de inveja. Um dia ela conheceu um rapaz. O rapaz tinha feito com que ela ficasse confusa sobre sorrir. Ele achava estranho ela  não deixar fluir e simplesmente mover os músculos da bochecha. Ela era reservada. Ela queria, mas depois de tanto tempo, não conseguia sorrir com facilidade ou naturalidade. E o rapaz que ficou assustado, foi deixando-a de lado. E de lado. E de lado. E longe. Um dia estavam à muitos quilômetros de distância. Entretanto, ela queria sorrir e mostrar que era capaz. E também havia aquela necessidade de sorrir para ele e deixar o rapaz feliz por tal acontecimento que ele criou. E assim tentou. E foi correndo. E correndo. E correndo por todo caminho que os separavam. Ela correu até os pés sangrarem. Não foi até cansarem, foi sangrarem, mesmo. E pior teria sido se ele tivesse a trancado em um cofre, perdido a chave e esquecido a senha. Mas ele só se afastou. E agora ela estava correndo atrás dele. Quando ela o viu de longe, apressou mais ainda as pernas. A dor não importava, não tinha o direito de atrapalhar. E lançou os braços pelo rapaz, e ele correspondeu. O abraço era quente. Pequenas gotas descambavam pelo rosto, mas ela não estava triste. Aquele abraço era o motivo de toda felicidade que poderia acontecer. E ela deu o mais sincero e puro sorriso.

terça-feira, 19 de abril de 2011



Me 
diz por 
qual caminho 
você vai passar,
pra eu desviar, eu 
quero andar sozinho.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma carta para Oliver - Parte I

Deveriam ser umas seis horas da noite. Ou da tarde. Oliver nunca teve apego a esse tipo de detalhe. Acordou assustado com o barulho da campainha. Estava assistindo televisão no sofá da sala, o que resulta por dormir e a derramar saliva entre uma almofada e outra. Passou as palmas das mãos pelo rosto tentando clarear as ideias. O que era em vão, pois a campainha insistia em berrar aquele "triiiiiiim" estridente.
- Já escutei. Já estou indo!
Abriu a porta sem perguntar para quem. Era sua irmã. Vestia um casaco amarelo com uns botões prateados, uma calça jeans e botas couro com salto fino. O casaco estava aberto, e deixava à mostra uma blusa branca com decote V. Seu cabelo artificialmente loiro dava um toque a mais a sua delicadeza, que era eventualmente acentuada por alguns acessórios. Oliver não tinha visto sua irmã durante o café da manhã, e de acordo com seu vestuário, ela não estava vindo do trabalho, ou da faculdade. Por um momento, ficou até com duvidas sobre onde a garota tinha passado a noite passada.
Ela trazia consigo uma bolsa de cor turquesa (aquela cor-que-não-se-sabe-se-é-verde-ou-azul) e uns envelopes nas mãos. Reclamou sobre a demora para abrir a porta e disse:
- Toma.
Oliver ficou confuso, e perguntou o que era.
-É uma carta endereçada a você, seu tonto. O que mais parece ser?
De fato, era um relacionamento hostil. Mas ele não dava importância a isso. Já estava acostumado.
"É verdade", pensou Oliver. "O que mais poderia haver aí? Uma bomba? Uma forca? Um punhal amaldiçoado? São só inofensivas palavras".
Foi até o seu quarto, trancou a porta, sentou na cama, e não encontrava alguma coragem para ler o que continha em suas mãos. A Garota-do-trem tinha escrito para ele - para ele! - e aquilo era surreal demais para sua linha de raciocínio.
"Vou terminar logo com essa peleja" e assim abriu a carta.


continua...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

"O bondinho era dela, pra ela passear.  As estrelas eram dela, pra iluminá-la. A pracinha era dela, pra ela caminhar. O sorriso que ela abria era a coisa mais bela... As canções eram dela, pra ela cantar. O mundo se espremia pra vê-la na janela. As minhas palavras eram dela. E ela nem viu.
E ela nem viu.
E ela nem viu.
E ela nem viu.
As minhas palavras eram dela."

domingo, 10 de abril de 2011




A história da melancolia inclui todos nós. Eu escrevo em lençóis sujos, enquanto olho para paredes azuis e nada. Eu já me acostumei tanto com a melancolia, que eu a recebo como uma velha amiga.

E agora eu terei 15 minutos de aflição pela ruiva perdida, e digo aos deuses. Eu faço isso e me sinto bastante mal, bastante triste, e então eu levanto limpo. Apesar de que nada está resolvido.


Isso é o que eu ganho por chutar a religião na bunda. Eu deveria ter chutado a ruiva na bunda. Onde o cérebro e o pão e a manteiga dela estão... Mas, eu não me sinto triste por tudo.

A ruiva perdida foi apenas outro rompimento em uma vida de perdas... Eu ouço a bateria do rádio agora e sorrio. Há alguma coisa errada comigo além da melancolia...

-- Charles Bukowski

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Das cartas de Oliver para a Garota-do-trem

Ei Garota-do-trem, por onde tens andado? E por que parou de me escrever? De tudo o que escuto, teu silencio é o que mais faz arder meus tímpanos. Sinto a falta de sua tagarelice costumeira... O que aconteceu? Se for minha culpa, faço qualquer coisa para mudar. Vou até para um pagode se assim desejares, e, tu sabes bem que esse tipo de evento não é de meu feitio. Porque quando eu quero, faço tudo para conseguir. Mas, isso é só quando eu sei que posso. Se não, eu desisto, largo e jogo em qualquer esquina que possa libertar. Entretanto, não quero desistir de ti. ARRRRRRGH! Fale-me, Garota-do-trem, qual é o teu itinerário? Qual é a linha que faz meu ponto encontrar com o teu? Qual é a rota que fará esse vácuo ir para as cucuias? Qual é o preço que tenho que pagar para dizer "aleluia" por receber uma carta sua?

terça-feira, 5 de abril de 2011

Lá vai aquela guria a não querer correr novamente. Fuja. Fuja enquanto ainda tens tempo! Vá, e não olhe para trás. Não desperdice nenhuma lágrima em que tu possas tropeçar e perder teu valioso tempo tentando reerguer-te . E, por favor, viva sua vida como se um tumor maligno estivesse a sugar teus  fluidos vitais. Você iria permitir que algo fosse usar e abusar da sua vida - aquela que tu tiveras que passar por tantos maus bocados - e ficar por isso mesmo? Eu creio que não. Agora vá.
Ah, antes que acabe por me esquecer, quando for sair, feche a porta e coloque a chave debaixo do tapete.
"somos a fachada
de uma coisa morta

e a vida como que a bater à nossa porta

quando formos velhos,
se um dia formos velhos,
quem irá querer saber quem tinha razão?

de olhos na falésia,
espera pelo vento.
ele dá-te a direção...

ninguém é quem queria ser.

eu queria ser ninguém."

segunda-feira, 4 de abril de 2011

eis aqui a melhor desculpa inventada

 I am a sleepwalker, anyway.
i'm gonna tell us a little secret: i'm gonna die



[falling deeply in love with smudge]

domingo, 3 de abril de 2011

Eu quero mais é que um meteoro caia em direção a sua testa e que você não tenha tempo para fugir.
WHAT THE HELL WERE YOU THINKING? WHERE'S YOUR FUCKING MIND? 

DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT DAMMIT

sábado, 2 de abril de 2011

I'D CATCH A GRENADE FOR YA. THROW MY HAND ON A BLADE FOR YA. I'D JUMP IN FRONT A TRAIN FOR YA. YOU KNOW I'D DO ANYTHING FOR YA!

I would go through all of this pain, take a bullet straight through my brain.
Yes, I would die for you, baby. But you won't do the same.