segunda-feira, 26 de março de 2012






A primeira alegria do dia é uma fita do sol que se enrola na sua mão e acaricia meu ombro.

É o sopro do mar e a praia que o aguarda.
É o pássaro cantando sobre o ramo da figueira.


A primeira tristeza do dia é a porta que se fecha.

O carro que se vai.

O silêncio que se instala.


Mas logo você retorna, e minha vida volta a seu curso.

A última alegria do dia é a lâmpada que se apaga...

domingo, 25 de março de 2012

E acredite quando eu digo: seja feliz


Você nasceu pra ser espinho, e eu cicatriz

sábado, 24 de março de 2012


terça-feira, 20 de março de 2012

Do caso três ao um




Não sei. Michelle ainda está por aí, a viver algures. Às vezes, faço uma visita extra à estação na esperança de poder encontrá-la. Confesso que nunca tive a chance – seja sorte ou azar – de termos nossos caminhos cruzados, ou talvez a até tenha. Foi há tanto tempo atrás, que nem sei ao certo se existiu alguma garota do trem, se ela parecia como a Branca de Neve, ou era um sonho como a princesa dos contos de fadas. Caso a ultima hipótese for a verdadeira, ela foi o sonho mais real que me apeteceu.
Guardo com carinho e tristeza as derradeiras palavras dirigidas para mim. Rispidez nunca foi algo inédito ao nosso convívio, embora também não fosse corriqueiro. Descobrir falas e textos por outrem, mesmo que estivesse com o meu nome entre, não foi lá das mais agradáveis e passiveis sensações. Desceu amargo aos meus ouvidos quanto um uma dose de vodka pura, sem açúcar, refrigerante, suco, leite condensado, chocolate e todas essas outras coisas que dão sabor a vida. Bebi aquela história puramente, sem nada para fantasiar ou colorir o que realmente era. Senti pânico. Meu desejo era apenas ir de encontro ao chão e me posicionar de forma fetal. E era assim que eu encontrava-me: frágil como um feto.
Pelas manhãs, das poucas vezes que não tive que acordá-la porque iria chegar atrasada ao trabalho, ela me despertava com um beijo ao pé do ouvido e com uma xícara de café para mim. O café era terrível, mas o bom dia já valia a semana inteira. Então, eu colocava a xícara de lado, e ia de encontro aos seus lábios. Ela jogava aquele olhar de “O que você está fazendo? Não posso me atrasar hoje.” E como sempre, se atrasava.
 Até que um dia, depois de chegar da academia, estava cheia de caraminholas na cabeça. Falava só, e coisas sem sentido, como o “O destino do maquinista é o trem, e não a estação. Ele tem que vagar e vagar, e nunca parar. O tempo não dá pausas, não espera ninguém. Se você parar ou se perder em alguma estação, não importa o quão bom e tão cheia de lojas e acessórios ela seja, se for a estação errada, será apenas perda de tempo. Talvez no futuro, o maquinista volte a essa estação e seja o tempo certo para ela. Mas não era agora. Toda aquela parada era tempo jogado aos porcos, e o tempo só morre depois que a musica acaba. Senta, e escuta... A musica ainda está no ar.”
Para mim, aquela conversa era algo parvo, e não tinha nenhuma importância. Porém, no dia seguinte, Michelle saiu mais cedo do que o de costume, mas se deu ao trabalho de colocar um despertador e me acordar. Deixou um bilhete dizendo que sentia muito, mas aquilo não fazia mais sentido. Disse também, que voltava para vir me buscar e que nunca me deixaria ir.
Cá estou eu, ainda esperando que a minha garota do trem venha ao meu encontro, mesmo que ela nunca tenha tido vontade trocar ao menos um olhar. Talvez sentisse vergonha do que fez e causou. Talvez estivesse ocupada. Ou talvez, estivesse “nem aí”, mas eu não gostava de pensar nessa hipótese...  Enviou-me duas ou três cartas, contando o quão fixe era a sua jornada, e dizendo que tinha encontrado um novo rapaz. A partir de então, não quis mais saber a respeito, e não mantive contato. Que no caso, eu não o teria nem se o quisesse.
Sim, continuo aqui. Velho, com meus quase sessenta anos, cabelo grisalho, exilado de minha própria nação e família por desertar os direitos do homem moderno por esperar que uma princesa venha me resgatar.
Continuo aqui, a esperar. 

sábado, 10 de março de 2012

Ainda dói, não é, Oliver?